quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Feito mar distante e intenso
    é grave o ar da noite 

por debaixo dos mangueirais 

Longe, longe
               onde acaba o capim rasteiro
relampejam 
           raios 
                 seresteiros
procissão nos céus

Longe, longe
             
                         onde nada mais tem nome

vou amarrar a rede

e descansar.

Augusto K.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Lírio 
                                             Para os fins.                                  

Cabelos ao vento
fios de lã
céu que brilha outono
no espaço fosco dos cantos
e de pés na praia
arrebata-me o furacão

Augusto K.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Léo 

Síria devastada
pergaminho, caneta, fuzil
Rosa preta
Fuzil e retalho
na sarjeta da tarja preta
suor in periferia vil
Gueixa enfeitada 
de luz do luar
na esquina d'luz vermelha
Teu preço é alto, reclama o céu
tua ambição também é alta - trama de Babel 
Prostituta mãe de todas 
as carnes das nações
beijam aves estes véus rubros por sobre o horizonte
do Oriente, do Middle East
Cabe mais dinheiro na tua vida?
Na cantiga de ladrão?
É o destino dessa terra, 
castigo para terras negras.
Pássaro engaiolado.
Mais um sabiá cantando a meia noite nos escuros dos bancos
tormento sem brando, a desgraça nas ruas do teu país...
Mais um sabiá cantando a meia noite nos sussurros pálido cinza em branco do teu coração...
... e a vida é menina que não tem medo de errar o passo do canto no meio da noite.
É muito sangue derramado no Éden,
no verão do Mundo.

Augusto K.