quinta-feira, 12 de junho de 2014

I. Lira dos dias
               (Dedicado ao meu grande amigo Diego Sousa)

Nos plácidos fins de tarde,
pores de sol,
navega uma balsa
no rio d'uma lírica distante,
também onipresente,
soprada na força volátil do ar,
onde tu sempre estás intrínseco, meu caro amigo.
De tantas eras este mundo já se alimentou
e cá estamos nós desta vez.
Pisamos o mesmo chão
e me é motivo de loucura rouca, alegria:
partilhar tua existência em olhos agora rasos d'água,
como o vento no Japão,
em melodias orientais.
Cristo, Krishna,
Deus nosso Senhor,
apaga a solidão das rotinas,
e a ânsia desmesurada acesa nos abismos
colossais alimentados pelos astros
sem respostas plausíveis o suficiente
para o contentamento que talvez
seria inconsistente também.
Pois que fractais são factos vivos no mundo,
na pele, nos olhos, nos sons,
em todos os sentidos
e nada vale.
Mas meu amigo, que é a vida senão "por quê"?
Augusto K.

terça-feira, 3 de junho de 2014

II.
Lira dos dias
Todo dia já é tarde
pois que todo coração palpita
com o vento saciado dos mares,
na maresia fatigada dos limbos
que buscam amparo,
que há tanto já habitam
nas rugas do rosto.
- Solidão.
Decrepitude, casa das eras,
eco das gargantas - âmago do mundo,
ou será o grito das auroras fustigadas,
as primeiras manhãs?
Uma canção não morre,
num Sol de pontas cristalinas, dissonantes
que apontam sempre oeste
remoto, entrelaçado distante
- Bate asas firme,
e a cada pulso - pulso triste,
anseia por não ser alcançado;
muito menos lembrado,
na memória no canto dos pássaros,
ou nas pétalas jogadas aos sonhos dos rios - cânforas e jasmins.
Durma distante
num quarto em mim, Oriente,
beija a tentação da morte,
pois que tua fronte permeia um manto, Senhor,
para toda a Estrela da Manhã.
Augusto K.