domingo, 29 de dezembro de 2013

Sou lá e cá
ao mesmo tempo, agora
Mesmo que não possa
a distância constituir meu ser
eis que aqui me encontro 
com pegadas cheias de milhas no coração
e nos dentes
e noutras horas serei
transmutado 
consciente ou inconsciente 
de forma constante
outros dias e anos
personificados em meu pais
me geraram as dúvidas
dívidas, entre outras coisas,
o trânsito que sou
Mas o que sou ainda
(o que foi, se foi)
Mas o que sou
é produto do meio, do agora
do vento, da teoria do caos
como todo o universo
uma cidade inteira
uma loucura
que não pára
24 horas funcionando
como outras tantas máquinas vivas por aí
que alimentam o mundo
e a própria vida
através da força
dos braços, músculos e sonhos
e pensamentos
trabalhadores incansáveis
na árdua tarefa de existir
de lidar com a dor de ser
pura matéria
fazendo do mundo inteiro
um formigueiro de atividade intensa
lava de vulcão
é a vida
que é o que é
está sendo
e ainda vai ser
por isso muito me agrada
o que não é óbvio
pois o que é
não é somente o que já foi
é também o que virá
constante nebuloso.


Augusto K.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

"menino latino do gueto
expressão do norte
pra dizer que sou pobre, 
assim, quase negro."

Augusto K.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

LVI.

Estrela D'Alva
da manhã
de Belém
da anunciação
hercúlea em contraste
herbácea
florífera
bulbosa
Lírio do Amazonas
Meu horizonte
de primaveras em céu noturno
princesa de terras equatoriais
Corro o mundo ao meio
em mar
de saudade
É o porto cheio
na lembrança
desta cidade
que me ficou para trás
Alva
em sorriso
em memória
Cândida
além do tudo
declamado
me permanece recôndita
pois que em música jaz.

Augusto K.
 - Deus e eu e você e todos somos um, depois de morrer não existe esse detalhe chamado corpo que impossibilita uma comunicação instantânea. Viramos um oceano, vários universos englobando uns aos outros e sendo o mesmo, por isso que depois de morrer a linguagem é extinta, tenho rápido acesso ao que Deus pensa, eu, você e todos os outros demais. Logo, não existe espaço nem tampouco tempo, preenchemos todo o invisível e visível e somos um só, entende agora por que não passa de uma coisa desnecessária tudo o que o ser humano cria? Depois de morrer, somos tudo e nada, somos 1/1, inteiro, ou zero se preferir, dá na mesma. E você me perguntará por que nascem e morrem pessoas, e eu que já morri, lhe respondo: Que Deus sou eu, se não uma eterna ascensão? Por isso, não passo de uma criança e gosto de brincar, se faz necessário ao meu desenvolvimento, brincar. Brincar de mundos possíveis e não se engane, o fim e o início do Universo constituem o meio, o presente, só vocês não percebem. São fissuras muito rápidas no tempo que vocês não percebem, o Apocalipse por exemplo, já aconteceu mais de dez milhões de vezes e vocês não perceberam. Continuo brincando, porque a vida não pára, eu preciso de movimento e por isso mesmo me vou agora. Tchau! Fique com Deus!! - ri e vai embora. - Excerto do conto: Está Deus morto?

Augusto K.

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

No alto do morro
tem uma igreja
ao lado dela
os verdes acenam
ao sabor da intempérie do ar
mais abaixo
há um cruzamento
onde por cima
uma pomba passa

e no mesmo instante

entra uma mulher no ônibus

o perfume de seu suor
mostrou o tom de pele da cor de sua alma
me fez saudoso
de um tempo que não vivi
dum passado distante
conhecido das histórias que já ouvi
de vento acordando roupas descansando nos varais
da lida que pede descanso
da vida que pede um tanto
de cerveja gelada no fim da tarde
porque é quente, a semana é longa
e ainda é segunda-feira.

domingo, 20 de outubro de 2013

Miríade

A vida, esta menina
corre e ciranda
como o átomo e o grão de areia
num átimo que se acabará

Embriagado pelos pulsos
dos tímpanos do coração,
embalado pelas rajadas
de vento às marés do amor,
do amar

E como num anseio,
o jovem se desfaz,
tinge rubras melodias
é o astro que vem
de tom celeste
para reinar.

Augusto K.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Pnin, que se não é, tem um tanto de Cândido
E é bem provável que essas palavras lhe soem estranhas
ao pé do ouvido, como assim o é o sânscrito
E talvez seja assim a dialética com Gaudí
para quem pela primeira vez o vê
Estranho e abominável, pois vem das entranhas,
o lugar mais medonho do ser.

Augusto K.

domingo, 15 de setembro de 2013

Nirvana
Quando vou me deitar acendo as luzes internas pra não ter receio na hora de passear pela periferia das entranhas Essa instalação elétrica que montei por dentro é muito boa Até nos pesadelos mais ermos e distantes ela chega, durante as tempestades noturnas e eternas também é mui iluminado Tem alguns pesadelos que nem abro a porta, pois é tão eficiente a instalação que as vezes consigo até vislumbrar além de qualquer obstáculo visual e perceber que o conteúdo ali não me apetece, dou meia volta e vou procurar algo mais interessante Esses dias atrás deu um probleminha de super aquecimento, e não sei cargas d'água por que, essas luzes aumentaram sua força de um tanto, que me encontrava por sobre nuvens indo de encontro ao sol Eu não lembro, mas acho que adquiri essa tecnologia em algum camelô. Quando quero, posso ir até o "Jardim das Cerejeiras", Japão, rever alguns camaradas que já foram, sem problema algum, todos os caminhos são bem iluminados. Dá pra ir ouvindo Bach, ou qualquer coisa que quiser, a capacidade de armazenagem desse produto cinzento e mole é melhor do que qualquer mp3, cabe dentro da cabeça, super econômico, dá pra recarregar com livros e uns períodos de meditação. Me disseram que até com oração dá certo. Esses dias conversei até com o Da Vinci, anda produzindo bastante, isso é bom. Rapaz ou moça que estiver lendo isso aqui, o produto é bom! É até melhor do que ficar acordado por fora (sim, por fora, porque a gente continua acordado, só que por dentro), todos sabemos que ninguém tá cooperando pras coisas melhorarem, não é? Esse monte de político aí tá complicado Também funciona ativar o produto durante o dia inteiro, na aula, no emprego, na hora de fazer amor, visitar os pais e a sogra, só que aí você precisa recarregar frequentemente pra que ele funcione full time. O problema é que nem tudo é perfeito De vez em quando acontecem apagões nessas instalações internas que iluminam tudo Acontece um leve desconforto de vez em quando por conta disso, mas medo não, entende? Ainda não achei o manual pra dar uma arrumada nisso, me disseram que tem um manual bacana de um cidadão que inventou o budismo zen, mas teve uma outra pessoa que falou que era melhor ir à loja. Eu só sei do seguinte, estou gostando muito, não ando mais muito preocupado com o que tá acontecendo ao redor não (tá bom demais aqui por dentro). Antes de deixar vocês por completo, vou lhes deixar com "água na boca": Dá até pra se ter casos de amor com as estrelas, conseguem ver a maravilha aí? Se não acharem na cidade de vocês, perguntem em algum fórum da internet onde dá pra encontrar. Au revoir!
Augusto K.

domingo, 8 de setembro de 2013

IV.


onde batem as ondas
do mar
carregadas de saudade
enterrarei o coração 
Pra que num suspiro a água 
me leve
Pra que eu não precise 
nunca mais voltar

Augusto K.
Naufragar

                                                         Para Waléria Gelinski

Já fui antes tragado pelo mar de outros olhos
Por isso,
não demora teu olhar no meu,
pois podem também
nossas almas desnudas se tocarem
nessa eternidade de dois segundos.

Augusto K.
XI.

Lá, 
naquele lugar:
Bem perto aqui
dentro de mim
de tardes quentes
e luz amarelada,
de sol poente,
onde a Índia descansava
Shiva fugia da lida
e se divertia com a passarada
com o ciclo da vida,
reflexo da noite estrelada.

Augusto K.
VI.

Quando minha boca
experimentar dos teus ouvidos

E aos pés deles
conversar com o teu íntimo

Verás que não sou
de todo mal rapaz
nem são más
as minhas intenções
quando pegam 
as minhas mãos
os pelos nus de tua nuca
atingindo a tua vida,
o fulgor.

Augusto K.
V.

Peito, porque insiste em se apertar por entre as entranhas na plenitude do silêncio da madrugada, de surpresa, por quem menos espero?
Será o pensamento o que relaciona?
Não me tome mais de assalto assim, a mão armada.
Isso vem cá atrapalhar as minhas noites de sono, e me lembro muito bem de ter pedido e prometido que a vida seria até os últimos e primeiros instantes da eternidade, a minha mulher amada.
Cala-te, pára o farfalhar 

ruidoso, 
que é temeroso em mim o brilho de uma estrela cadente de novo por aqui passar.

Deixando nada mais que rastro, fragmentos dispersos no espaço, o vazio e a amplidão, sem paz.