domingo, 15 de setembro de 2013

Nirvana
Quando vou me deitar acendo as luzes internas pra não ter receio na hora de passear pela periferia das entranhas Essa instalação elétrica que montei por dentro é muito boa Até nos pesadelos mais ermos e distantes ela chega, durante as tempestades noturnas e eternas também é mui iluminado Tem alguns pesadelos que nem abro a porta, pois é tão eficiente a instalação que as vezes consigo até vislumbrar além de qualquer obstáculo visual e perceber que o conteúdo ali não me apetece, dou meia volta e vou procurar algo mais interessante Esses dias atrás deu um probleminha de super aquecimento, e não sei cargas d'água por que, essas luzes aumentaram sua força de um tanto, que me encontrava por sobre nuvens indo de encontro ao sol Eu não lembro, mas acho que adquiri essa tecnologia em algum camelô. Quando quero, posso ir até o "Jardim das Cerejeiras", Japão, rever alguns camaradas que já foram, sem problema algum, todos os caminhos são bem iluminados. Dá pra ir ouvindo Bach, ou qualquer coisa que quiser, a capacidade de armazenagem desse produto cinzento e mole é melhor do que qualquer mp3, cabe dentro da cabeça, super econômico, dá pra recarregar com livros e uns períodos de meditação. Me disseram que até com oração dá certo. Esses dias conversei até com o Da Vinci, anda produzindo bastante, isso é bom. Rapaz ou moça que estiver lendo isso aqui, o produto é bom! É até melhor do que ficar acordado por fora (sim, por fora, porque a gente continua acordado, só que por dentro), todos sabemos que ninguém tá cooperando pras coisas melhorarem, não é? Esse monte de político aí tá complicado Também funciona ativar o produto durante o dia inteiro, na aula, no emprego, na hora de fazer amor, visitar os pais e a sogra, só que aí você precisa recarregar frequentemente pra que ele funcione full time. O problema é que nem tudo é perfeito De vez em quando acontecem apagões nessas instalações internas que iluminam tudo Acontece um leve desconforto de vez em quando por conta disso, mas medo não, entende? Ainda não achei o manual pra dar uma arrumada nisso, me disseram que tem um manual bacana de um cidadão que inventou o budismo zen, mas teve uma outra pessoa que falou que era melhor ir à loja. Eu só sei do seguinte, estou gostando muito, não ando mais muito preocupado com o que tá acontecendo ao redor não (tá bom demais aqui por dentro). Antes de deixar vocês por completo, vou lhes deixar com "água na boca": Dá até pra se ter casos de amor com as estrelas, conseguem ver a maravilha aí? Se não acharem na cidade de vocês, perguntem em algum fórum da internet onde dá pra encontrar. Au revoir!
Augusto K.

domingo, 8 de setembro de 2013

IV.


onde batem as ondas
do mar
carregadas de saudade
enterrarei o coração 
Pra que num suspiro a água 
me leve
Pra que eu não precise 
nunca mais voltar

Augusto K.
Naufragar

                                                         Para Waléria Gelinski

Já fui antes tragado pelo mar de outros olhos
Por isso,
não demora teu olhar no meu,
pois podem também
nossas almas desnudas se tocarem
nessa eternidade de dois segundos.

Augusto K.
XI.

Lá, 
naquele lugar:
Bem perto aqui
dentro de mim
de tardes quentes
e luz amarelada,
de sol poente,
onde a Índia descansava
Shiva fugia da lida
e se divertia com a passarada
com o ciclo da vida,
reflexo da noite estrelada.

Augusto K.
VI.

Quando minha boca
experimentar dos teus ouvidos

E aos pés deles
conversar com o teu íntimo

Verás que não sou
de todo mal rapaz
nem são más
as minhas intenções
quando pegam 
as minhas mãos
os pelos nus de tua nuca
atingindo a tua vida,
o fulgor.

Augusto K.
V.

Peito, porque insiste em se apertar por entre as entranhas na plenitude do silêncio da madrugada, de surpresa, por quem menos espero?
Será o pensamento o que relaciona?
Não me tome mais de assalto assim, a mão armada.
Isso vem cá atrapalhar as minhas noites de sono, e me lembro muito bem de ter pedido e prometido que a vida seria até os últimos e primeiros instantes da eternidade, a minha mulher amada.
Cala-te, pára o farfalhar 

ruidoso, 
que é temeroso em mim o brilho de uma estrela cadente de novo por aqui passar.

Deixando nada mais que rastro, fragmentos dispersos no espaço, o vazio e a amplidão, sem paz.