terça-feira, 3 de junho de 2014

II.
Lira dos dias
Todo dia já é tarde
pois que todo coração palpita
com o vento saciado dos mares,
na maresia fatigada dos limbos
que buscam amparo,
que há tanto já habitam
nas rugas do rosto.
- Solidão.
Decrepitude, casa das eras,
eco das gargantas - âmago do mundo,
ou será o grito das auroras fustigadas,
as primeiras manhãs?
Uma canção não morre,
num Sol de pontas cristalinas, dissonantes
que apontam sempre oeste
remoto, entrelaçado distante
- Bate asas firme,
e a cada pulso - pulso triste,
anseia por não ser alcançado;
muito menos lembrado,
na memória no canto dos pássaros,
ou nas pétalas jogadas aos sonhos dos rios - cânforas e jasmins.
Durma distante
num quarto em mim, Oriente,
beija a tentação da morte,
pois que tua fronte permeia um manto, Senhor,
para toda a Estrela da Manhã.
Augusto K.

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